13/11/2007
acordei com um movimento no edredon. pensei: amarelo. não. isso é outra história. tentei organizar os pensamentos que sempre me hostilizam na primeira luz da manhã. onde está minha dor de cabeça? ah, sim, aí está. onde está meu mau-humor? ah, óquei! preciso colocar as roupas na mochila. preciso regar as plantas antes de sair. que plantas!? e quem está movimentando o outro lado do edredon? prendo a respiração. não. melhor continuar respirando. vou fingir que estou dormindo, sabe assim? começo um processo de martirização pessoal — vou parar de beber! o segundo passo é de beatificação — nem bebo tanto assim! finalmente me inocento de qualquer culpa — as pessoas deviam parar de beber! lambidas no meu pescoço. meu deus — como se eu acreditasse em algum deus. logo hoje que vou viajar? preciso lembrar de alguma coisa que me dê uma pista de como essa criatura foi parar no meu edredon. conflito na região da Caxemira. alta de 20% das ações da Petrobrás. ahn... acho que isso não vai ajudar muito. noite fria de novembro em Porto Alegre. a cerveja acabou. 03h45min da madrugada. agora sim, estou enxergando uma luz. não. melhor manter distância da luz. li relatos estranhos sobre pessoas estranhas que vivenciaram experiências estranhas com uma luz estranha. alguns foram por aí e nunca mais voltaram, outros voltaram e estão por aí ainda mais estranhos. agora, latidos. que criatura mais louca! puxo o edredon buscando proteção. preciso me concentrar e encontrar uma saída. reescrever o roteiro. a cerveja acabou. lua nova. brincar de procurar constelações. vento. não encontrei as chaves e a porta ficou apenas encostada. mais latidos. claro, como não pensei nisso antes? e a solução emerge do nada como nos romances policias de... ah, aquele autor que não lembro o nome. afasto o edredon e o meu cachorro está há dois centímetros de distância. latindo. lambendo. rebolando. babando. arhg! um travesseiro voa pelo quarto. um edredon voa pelo quarto. um cachorro voa pelo quarto. preciso encontrar as chaves. colocar as roupas na mochila. comprar uma coleira para o cachorro. fechar a porta. comprar outro cachorro. preciso colocar alguma ordem no dia. comprar algumas plantas. onde estão as Aspirinas?
12/11/2007
pensei muitas coisas e não consegui me fixar em nenhuma delas: o calor derretendo os azulejos da cozinha. o calor derretendo o silêncio da rua vazia. o calor derretendo o que resta do dia. o Mago, o Papa e a Dama do tarot. Camus para conquistar e esgotar todo o encanto de um sim sem nada perguntar. Camus para chamar de verdade a tudo que continua. Camus para a ausência de lições, amargas filosofias ou a grandeza do ser... que beijos e perfumes selvagens despertem o centro da noite. acendam um cigarro. debochem do meu mau-humor. contem-me um segredo. prendam-me entre suas pernas. ignorem a novidade sofá-verde-musgo na sala. arrumem a mochila para roteiros de viagens e óculos de sol para cenários feitos de sol. transformem as páginas de Camus em origamis coloridos. mudem o disco. Maria Rita — tá me deixando louco. Jamie Cullun — we will spend it all at sea. e quando eu pensar muitas coisas e não conseguir me fixar em nenhuma delas: mostrem-me o olhar brilhante da vida.
e parei com Camus! está decidido.
e parei com Camus! está decidido.
08/11/2007
06/11/2007
diz a lenda urbana que os norte-americanos desenvolveram duas fórmulas secretas: 1) para explodir a cabeça de todos os habitantes do planeta, na hora que bem entenderem — você já comeu um BigMac? então, já era! e 2) para escrever BestSeller's. como nunca comi um BigMac nem fui assinante do Círculo do Livro, acredito que minha cabeça permanecerá intacta... ahn, sem comentários!
sobre os BestSeller's e BigMac's não tenho nada a acrescentar, mas uma coisa posso afirmar, até porque todo mundo já sabe: os norte-americanos inventaram uma fórmula para reescrever o final da história e ganhar muito dinheiro no cinema.
depois de anos de resistência, assisti Pearl Harbor (Michael Bay, 2001). incrível! o filme tem a mesma cara de pau e roteiro de Titanic! só mudaram a época tão-tão-distante, os atores canastrões que formam o triângulo amoroso e o local da grande tragédia. o resto está lá: muita gente morta boiando na água, um desejo incontrolável de voar e um trilha sonora de emocionar até uma mula...
e mais essa agora?! não sei onde arrumei essa mula! óquei, inspira, expira... e como não faço a menor idéia de como terminar esse papo-furado, acho que vou aproveitar o surgimento dessa mula e levar ela pra passear! fui!
sobre os BestSeller's e BigMac's não tenho nada a acrescentar, mas uma coisa posso afirmar, até porque todo mundo já sabe: os norte-americanos inventaram uma fórmula para reescrever o final da história e ganhar muito dinheiro no cinema.
depois de anos de resistência, assisti Pearl Harbor (Michael Bay, 2001). incrível! o filme tem a mesma cara de pau e roteiro de Titanic! só mudaram a época tão-tão-distante, os atores canastrões que formam o triângulo amoroso e o local da grande tragédia. o resto está lá: muita gente morta boiando na água, um desejo incontrolável de voar e um trilha sonora de emocionar até uma mula...
e mais essa agora?! não sei onde arrumei essa mula! óquei, inspira, expira... e como não faço a menor idéia de como terminar esse papo-furado, acho que vou aproveitar o surgimento dessa mula e levar ela pra passear! fui!
04/11/2007
ontem, observei um plátano florescendo e lembrei de vocês. lembrei de nós. de nossas conversas em horizontes de inquietação. transmutação permanente de como experimentamos a vida abrindo janelas de luz que resistem à acomodação da sala. essa presença tem atravessado violentamente cada manhã e me surpreendo folheando lembranças como se fossem páginas de um livro — histórias de amor, desaviso e a coragem do impossível, desdém e os sapatos de Ramil, meninos embriagados de absinto, cigarros e cinzas. proximidade que abranda a ausência do mesmo céu como folhas secas de um plátano cobrem o chão de coisas que ficaram por dizer e já não importam mais.
estou pronto. levo no olhar o brilho de postais que já conhecem: ruas, esquinas, casas, o muro da Mauá, um rio que não é rio, bancas de livros, Menino Deus, Cidade Baixa, Moinhos de Ventos, cafés, cinemas, gírias e a melancolia das roseiras de Caio Fernando Abreu. levo todo o fingimento e ironia de um personagem inventado para provocar, mas também levo toda fragilidade e lealdade. levo-me inteiro.
a saudade não coube na mala. sei que a reencontrarei por aqui quando voltar, louca, arranhando a solidão com dedos de sufocar. roupas, perfumes, presentes, outros planos e sonhos e itinerários, apenas aguardam o embarque no avião. chego no início da madrugada, destino de todos aqueles que perdem o sono insatisfeitos com a cena vulgar. e o tudo sem pensar, o fora do comum e o desigual, sugiro guardar para mais tarde, para quando eu chegar.
estou pronto. levo no olhar o brilho de postais que já conhecem: ruas, esquinas, casas, o muro da Mauá, um rio que não é rio, bancas de livros, Menino Deus, Cidade Baixa, Moinhos de Ventos, cafés, cinemas, gírias e a melancolia das roseiras de Caio Fernando Abreu. levo todo o fingimento e ironia de um personagem inventado para provocar, mas também levo toda fragilidade e lealdade. levo-me inteiro.
a saudade não coube na mala. sei que a reencontrarei por aqui quando voltar, louca, arranhando a solidão com dedos de sufocar. roupas, perfumes, presentes, outros planos e sonhos e itinerários, apenas aguardam o embarque no avião. chego no início da madrugada, destino de todos aqueles que perdem o sono insatisfeitos com a cena vulgar. e o tudo sem pensar, o fora do comum e o desigual, sugiro guardar para mais tarde, para quando eu chegar.
02/11/2007
coisas para lembrar
drive me crazy
squeeze me lady
with you
um amigo meu é que estava certo: o ruim nessa história de ficar passeando de quarto em quarto é que numa dessas o cara acaba se perdendo no corredor.
* Ed Motta
squeeze me lady
with you
um amigo meu é que estava certo: o ruim nessa história de ficar passeando de quarto em quarto é que numa dessas o cara acaba se perdendo no corredor.
* Ed Motta
01/11/2007
suspiro... há dois dias estão tentando me convencer que a tulipa (taça) tem alguma semelhança com a tulipa (flor). há dois dias estão afirmando que não tenho boa vontade ou nunca fico suficientemente embriagado pra perceber essas coisas. o problema é justamente esse: nunca fico suficientemente embriagado. para olhar através desse caleidoscópio que distorce tudo a partir de adivinhações e comparações do tipo flor em copo de vidro, diálogos e cenários e comportamentos imaginários, acreditando exclusivamente nas próprias conclusões, é preciso ter muuuuita boa vontade! óquei, algumas vezes sou precipitado, fantasio algumas lendas urbanas e depois tenho que recuar como se tivesse levado um tapa na cara — e sei do que estou falando. tsc! mas não penso em me vingar... não, não, não sou assim! espero ter merecido e que aquele não tenha sido o nosso "final feliz". para algumas situações, só me resta manter o bom-humor. e talvez, eu disse "talvez", exista mesmo alguma semelhança entre a flor e a taça.