ando fazendo cut/paste desse comentário de um blog para o outro há quase 20 minutos e cada vez que faço isso mais extenso ele fica. comecei no blog da Ane, mas reconsiderei e achei que devia publicar na origem do assunto, o blog do Marcos VP. mais tranquilo em relação ao endereço, comecei a teclar feito um doente. quando lembrei de respirar, meu comentário parecia uma invasão gaulesa em território desconhecido. re-reconsiderei e decidi recuar. voltei para o blog da Ane, que já está mais familiarizada com meus surtos psicóticos. respirei fundo mais uma vez e... mas publicar um comentário maior do que o post do autor não é muita cara dura? mas que merda! quer saber? cut/paste e vou publicar no meu próprio blog onde ninguém vai ler mesmo e posso dormir em paz.
e não é que durante essa semana os caras da classe-média-pensante-tri-conectada-atuante-e-quixotesca desistiram de salvar o mundo e desviaram os olhares raivosos para as declarações da super atrapalhada ministra Matilde Ribeiro, da Super Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial — ufa! consegui, e com todas as letras. como todos sabem, e quem não sabe que vá se informar, a super desqualificada ministra fez uma pequena-imensa confusão, muito comum em todos os setores desse super governo. o que ela estava querendo promover era uma discussão sobre o direito de vingança e não sobre o racismo. mas ela não tem culpa. estava na cara que essa proposta de igualdade que-e-como está sendo apresentada só vai fragmentar e radicalizar ainda mais as posições opostas. no Brasil, o debate sobre racismo está sendo conduzido sem nenhuma habilidade e de forma equivocada a todo momento, e por todos.
aceitei como um gesto de coragem da super posicionada ministra assumir claramente de que lado está, sem esse blá-blá-blá civilizado e enrolado que agrada aos intelectuais e que o resto da população não dá a mínima. também acho natural um negro não querer conviver com um branco ou não gostar de um branco. assim como também acho natural um branco não querer conviver com um negro ou não gostar de um negro. não pelas motivações que açoitam a super torturada ministra. ter idéias e opiniões formadas é o que nos torna singulares e plurais ao mesmo tempo. acho que isso se chama personalidade. acreditar que somos realmente todos iguais é um preconceito marxista e cristão meio demais pra minha cabeça. afinal, que porra é essa que nos leva a gostar e desejar o convívio com uma pessoa ou sabor ou perfume, e não qualquer outro? o que não é natural é todo mundo gostar de Acarajé ou Heavy Metal ou Baudelaire, e nenhum decreto ou discurso vai mudar isso. particularmente, acho a cultura negra um pé no saco, assim como alguns amigos negros acham Alanis Morisette uma doida varrida. também acho o comportamento gay uma frescura promíscua e vazia, assim como alguns amigos gays dizem que não passo de uma vadia reprimida que precisa de análise. e por aí vai e assim vamos, nos suportando, assumindo posições íntimas, tentando superar o medo, enquanto debochamos dos nossos próprios limites. somos transparentes, incolores, inconstantes, homogêneos, e o que nos aproxima está muito-muito-muito além desse horizonte míope e árido que a todo instante querem colocar entre nós.
enfim, sou gaúcho e, um pouco pior, porto alegrense. devo admitir que somos uns tipinhos preconceituosos — só toleramos os brasileiros por causa das praias. nem tente sugerir a superação de nossas referências étnicas e estéticas e culturais e sociais e políticas e afins porque é desilusão garantida. conviver pacificamente com as diferenças, ser tolerante e não discriminar, até acho possível e admirável — tenho minhas dúvidas, mas aí tudo bem porque até eu duvido das minhas dúvidas. só não esperem que um cara preconceituoso como eu vá levantar do sofá e sair defendendo gente que não conhece só porque eles são diferentes... ou iguais, nem sei mais, já ando confuso com todo esse barulho. no máximo, e se for com prazer, aceito convites para cafés, bares, baladas, viagens, noites de sexo, de qualquer espécie, desde que minimamente inteligentes e bem humorados. confesso: não tolero gente burra e que se leva a sério. e até provem o contrário, somos todos culpados e vítimas dessa coisa alarmante que se chama humanidade — ou seja, aquele velho e saudável hábito destrutivo que mantemos desde os tempos mais remotos, que é justamente o que nos diferencia dos camundongos. ou será que os camundongos também são iguais e... ah, esquece! vou lá dar mais umas gargalhadas enquando escuto aquela música do sempre militante-vigilante Rappa que rejeita "aquelas pessoas que pensam em se engrandecer de tal maneira que desprezam os humanos aqui da Terra" — sim, pra deixar bem claro que não são os humanos lá de Marte! fala sério... e ainda querem meu aplauso.
30/03/2007
29/03/2007
algumas palavras parecem envelhecer e cair numa espécie de limbo anacrônico — não me pergunte o que é isso, acabei de inventar ou li em algum lugar. mas limbo e anacrônico são dois bons exemplos. estereótipo, manifesto, retórica e revolução, também mereciam a aposentadoria. algumas palavras parecem ficar cansadas. exclusão, inclusão, globalização, virtual, digital, solidariedade, transcendental, já encheram o saco. toda vez que escuto, me dá um treco e quase paro de respirar. enfim, my computer, chega de castigar o tempo com digressões piradas embaladas por Radiohead. criaturinhas verdes ao redor começam a gesticular e promover uma série de barulhinhos esquisitos com os dentes, nervosas com a proximidade do fim de prazo para entrega de mais um trabalho.
28/03/2007
27/03/2007
23/03/2007
aconteceu que hoje levantei da cama com o pé esquerdo e depois de duas xícaras de café e cinco cigarros me dei conta de que enlouquecer aos poucos não faz nenhum sentido. de repente, me vi envolvido em reflexões filosóficas do mais alto grau. coisa séria mesmo, repleta de argumentos divergentes e bem estruturados. servi uma dose generosa de uísque, com pouco gelo. olhei para o relógio. como não era nem meio-dia de uma sexta-feira, achei que seria prudente colocar mais gelo no uísque porque a coisa estava ficando crítica demais — detesto trabalhar nas segundas e sextas. pensando bem, também detesto trabalhar nas terças, quartas e quintas. mas isso não interessa para a continuidade dramática do texto.
confuso emocionalmente, tentei uma solução simples. uma técnica que desenvolvi ao longo dos anos e sempre utilizo quando preciso me esquivar de qualquer processo de análise que me coloque contra a parede. comecei elaborar mentalmente uma sequência de coisas que não me levasse para nenhum lugar: essa cidade, eu conheço cada esquina, cada calçada, suas casas, cores, lixeiras, a gurizada brincando na rua, bola furada, bicho-de-pé, telhas francesas, janelas e cortinas, tomadas, geladeira, TV, mesa e quatro cadeiras... não deu certo. nenhuma dignidade existencial à vista.
what fuck? que transtorno obsessivo-compulsivo-psicótico-patológico-inoportuno é esse? — e preciso me matricular num curso de inglês, urgente! então, numa demonstração espantosa de habilidade, organização e instinto de preservação, consegui ignorar o desejo involuntário de elaborar qualquer tipo de pensamento. procurei desesperadamente reagrupar meus esforços, direcionados na manutenção do pouco que ainda me restava de concentração, equilíbrio, coordenação motora e mental. o uísssqui já coemebava fazer efeitos irremediabeis misturado com toda quela doideira intelecutual. estaba bicando meio donto. desliguei o Windows Media Player. uai! que silêncio. quanto vácuo tridimensional ilimitado e infinitamente grande. vi outro dia no Houaiss, o espaço é quase poesia. sei lá, quando a cabeça fica girando sem sair do lugar, o melhor a fazer é cortar a cabeça. como essa deve ser uma daquelas decisões com consequências traumáticas, acho que aproveitarei que estou temporariamente incapacitado para qualquer atividade e vou apenas cortar o cabelo.
confuso emocionalmente, tentei uma solução simples. uma técnica que desenvolvi ao longo dos anos e sempre utilizo quando preciso me esquivar de qualquer processo de análise que me coloque contra a parede. comecei elaborar mentalmente uma sequência de coisas que não me levasse para nenhum lugar: essa cidade, eu conheço cada esquina, cada calçada, suas casas, cores, lixeiras, a gurizada brincando na rua, bola furada, bicho-de-pé, telhas francesas, janelas e cortinas, tomadas, geladeira, TV, mesa e quatro cadeiras... não deu certo. nenhuma dignidade existencial à vista.
what fuck? que transtorno obsessivo-compulsivo-psicótico-patológico-inoportuno é esse? — e preciso me matricular num curso de inglês, urgente! então, numa demonstração espantosa de habilidade, organização e instinto de preservação, consegui ignorar o desejo involuntário de elaborar qualquer tipo de pensamento. procurei desesperadamente reagrupar meus esforços, direcionados na manutenção do pouco que ainda me restava de concentração, equilíbrio, coordenação motora e mental. o uísssqui já coemebava fazer efeitos irremediabeis misturado com toda quela doideira intelecutual. estaba bicando meio donto. desliguei o Windows Media Player. uai! que silêncio. quanto vácuo tridimensional ilimitado e infinitamente grande. vi outro dia no Houaiss, o espaço é quase poesia. sei lá, quando a cabeça fica girando sem sair do lugar, o melhor a fazer é cortar a cabeça. como essa deve ser uma daquelas decisões com consequências traumáticas, acho que aproveitarei que estou temporariamente incapacitado para qualquer atividade e vou apenas cortar o cabelo.
22/03/2007
mas que merda! mais um dia Internacional de Não Sei o Quê. nem saímos de uma armadilha e já tem outra. é por isso que provoquei minha eutanásia moral. agora sou um cidadão omisso, livre da incômoda responsabilidade social. tudo bem, podem mandar me fuzilar. passei a manhã inteira escutando Engenheiros do Hawaii no volume máximo e estou pensando seriamente em me transformar num hipopótomo para ficar mergulhado numa poça de lama, pacificamente, sob o sol, o resto do dia. não, nada de anormal. só ando de saco cheio dessa paranóia fundamentalista que transformou essa tal de "igualdade" numa espécie de dogma defendido por um blá-blá-blá interminável. quem eles pensam que são? amigo, chega de conversa. muito prazer, meu nome é Otário e quero o direito de não ser igual a ninguém e inventar a minha própria liberdade sem saber onde isso vai dar. sem motivos nem objetivos, vivo, e é tudo. um hipopótamo. é isso, perfeito! a espécie de mamífero africano que mata mais seres humanos a cada ano.
21/03/2007
Lula - biografia não autorizada
outro dia estava almoçando com o Lula, numa daquelas minhas inúmeras viagens, e fiquei convencido de que aquele é um homem ainda atormentado pelo sonho juvenil de mudar o mundo. como todos sabem, mudar o mundo é uma chatice e com o passar do tempo todos que embarcam nessa aventura ou 1) ultrapassam a barreira dos 40 anos fumando maconha ou 2) se transformam em professores de filosofia ou 3) leitores da Carta Capital ou 4) esquerdistas alucinados infiltrados entre os ativistas do Greenpeace e WWF. opções pouco prováveis para alguém com habilidades psíquicas e motoras abaixo da média — Lula confessou que deixou a barba crescer depois de cortar um dedo ao se barbear com um Prestobarba, contrariando a tese sustentada por um amigo meu de que ele teria comido o dedo, por engano, enquanto tentava roer as unhas.
após esse trágico episódio, Lula abandonou a idéia de investir em profissões complexas que demandavam a utilização de pequenos objetos perigosos como calculadoras, tesouras e grampeadores. sujeito determinado, decidiu fazer algo que não estava muito acostumado, ler os clássicos, e começou pelas frases de pára-choques de caminhões. foi quando descobriu sua real vocação: a presidência da república. a frase que o inspirou, e desconfio que a todos os presidentes latino-americanos, foi a manjada "só sei que nada sei", pronunciada por Sócrates ao afirmar que a primeira e fundamental verdade filosófica é admitir plenamente a própria ignorância.
para quem saiu do fim do mundo, localizado mais precisamente em Garanhuns, Pernambuco, a sentença de Sócrates é um coice e provoca uma inclinação nostálgica revelada através da amargura no olhar. Lula resiste furiosamente ao fato de ser apenas um retirante desqualificado que se tornou um dos burocratas mais festejados pela esquerda nonsense do país por absoluta falta de alternativas. enquanto numa outra dimensão, da qual nada sabemos nem suspeitamos existir, um ex-líder sindical se contorce de raiva com a oportunidade perdida pelo herói solitário com superpoderes inimagináveis, protagonista na luta do bem contra o mal, protegido por uma máscara que ocultava sua verdadeira identidade de simples trabalhador.
acontece que nem todos os sonhos podem ser realizados e é necessário que eles deixem de existir para abrir espaço para outros sonhos. Lula não percebeu isso e continua enfrentando a realidade com a cabeça de um astronauta. mas ele não está sozinho. na Sala da Justiça, onde se reunem todos os super-pirados do mundo moderno, papilas degustativas produzem saliva com um leve sabor de vingança toda vez que Hugo Chavez brinca de anti-herói na maior cara dura... hmn, ou seria quando assistem as aventuras do Chapolin Colorado? nunca sei quem é quem.
O presidente, em particular, é simplesmente uma figura pública: não detém nenhum poder. Ele deve é possuir um sutil talento para provocar indignação. Por esse motivo, o presidente é sempre uma figura polêmica, sempre uma personalidade irritante, porém fascinante ao mesmo tempo. Não cabe a ele exercer o poder, e sim desviar a atenção do poder.
* O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams
após esse trágico episódio, Lula abandonou a idéia de investir em profissões complexas que demandavam a utilização de pequenos objetos perigosos como calculadoras, tesouras e grampeadores. sujeito determinado, decidiu fazer algo que não estava muito acostumado, ler os clássicos, e começou pelas frases de pára-choques de caminhões. foi quando descobriu sua real vocação: a presidência da república. a frase que o inspirou, e desconfio que a todos os presidentes latino-americanos, foi a manjada "só sei que nada sei", pronunciada por Sócrates ao afirmar que a primeira e fundamental verdade filosófica é admitir plenamente a própria ignorância.
para quem saiu do fim do mundo, localizado mais precisamente em Garanhuns, Pernambuco, a sentença de Sócrates é um coice e provoca uma inclinação nostálgica revelada através da amargura no olhar. Lula resiste furiosamente ao fato de ser apenas um retirante desqualificado que se tornou um dos burocratas mais festejados pela esquerda nonsense do país por absoluta falta de alternativas. enquanto numa outra dimensão, da qual nada sabemos nem suspeitamos existir, um ex-líder sindical se contorce de raiva com a oportunidade perdida pelo herói solitário com superpoderes inimagináveis, protagonista na luta do bem contra o mal, protegido por uma máscara que ocultava sua verdadeira identidade de simples trabalhador.
acontece que nem todos os sonhos podem ser realizados e é necessário que eles deixem de existir para abrir espaço para outros sonhos. Lula não percebeu isso e continua enfrentando a realidade com a cabeça de um astronauta. mas ele não está sozinho. na Sala da Justiça, onde se reunem todos os super-pirados do mundo moderno, papilas degustativas produzem saliva com um leve sabor de vingança toda vez que Hugo Chavez brinca de anti-herói na maior cara dura... hmn, ou seria quando assistem as aventuras do Chapolin Colorado? nunca sei quem é quem.
O presidente, em particular, é simplesmente uma figura pública: não detém nenhum poder. Ele deve é possuir um sutil talento para provocar indignação. Por esse motivo, o presidente é sempre uma figura polêmica, sempre uma personalidade irritante, porém fascinante ao mesmo tempo. Não cabe a ele exercer o poder, e sim desviar a atenção do poder.
* O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams